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Pra pensar a (in)disciplina...

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Por Aender Borba Sempre que sou procurado por pais ou responsáveis por crianças e adolescentes, tanto no contexto escolar (de educação não-formal - onde atuo), quanto no contexto da própria família, percebo como é frequente a queixa sobre o comportamento indisciplinado dos infantes. Sem dúvida, este é um dos fenômenos mais aterrorizantes para pais e educadores. No caso dos pais, quase sempre, a procura por uma orientação neste sentido soa como um pedido de socorro. Há uma falta de habilidade generalizada dos pais em lidar com a educação dos próprios filhos, especialmente, na questão da disciplina. Herança da década de 70, os pais apreenderam de forma equivocada a questão da correção dos filhos. É aquela velha estória de se jogar o bebê junto com a água suja da banheira. Muitos pais exageravam na intensidade disciplinar imposta a seus filhos, o que se dava em forma de espancamento e agressão, e não de uma repreensão amorosa e carregada de sentido. Na tentativa de reduzir a violência...

Relações humanas e relação terapêutica.

Por Aender Borba Senti-me provocado a escrever estas linhas depois que um grande número de pessoas (amigos e conhecidos) tem me procurado para perguntar sobre certas práticas de certos psicólogos(as), dos quais suspeita-se que suas posturas não coincidam com o que seria esperado de um profissional dessa classe. De modo geral, as pessoas, mesmo não tendo conhecimento profundo sobre o que faz um psicólogo(a), têm uma concepção prévia do que lhes seria inerente. Mais ou menos assim: do mesmo modo como açougueiro entende de carnes, um médico de saúde, um engenheiro civil de edificações; um psicólogo(a) deve entender de gente, de emoções, de comportamento e de ética. A partir dessa provocação, decidi refletir um pouco sobre um assunto que nunca vai se esgotar: a relação terapêutica . Não é possível esgotar porque ele é a mola propulsora da Psicologia como ciência e profissão, independente do campo de atuação, seja na clínica, nas organizações, no esporte, no hospital e outros...

Une histoire d'amour

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Por Aender Borba Falar de amor é algo sempre muito complexo. Talvez um dia eu me atreva a fazer isso por aqui, mas o objetivo dessa vez é compartilhar uma experiência que tive juntamente com minha esposa essa semana. Pela indicação de um amigo, assistimos o filme "Amour" de Michael Haneke. Com mais de cinco indicações ao Oscar e ganhador de vários prêmios.  O filme conta a estória de uma casal de idosos aposentados que passam por um drama que a vida lhes impôs devido as condições da própria velhice. Georges (Jean-Louis Tritignant) e Anne (Emmanuelle Riva), casados há muitos anos, ganharam a vida como professores de música e viviam confortavelmente em uma bela casa. O casal teve uma filha, que ausentou-se do convívio familiar após casar-se e acompanhar o marido em viagens por causa da profissão.  Depois de um derrame cerebral, Anne teve um lado do corpo paralisado, o que levou o casal a transformar radicalmente a rotina diária frente àquela nova realidade, na qual Ann...

Avanços éticos da civilização

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Por Aender Borba Há dois dias, ouvindo uma rádio de notícias, como faço todas as manhãs ao me deslocar para o trabalho, fiquei extremamente provocado com a notícia de um assalto realizado em São Bernardo do Campo (SP), que culminou com a morte da vítima. (Leia a notícia aqui ). Quem me conhece, sabe que não gosto de sensacionalismo e nem acho que coisas desse tipo não aconteçam todos os dias, uma vez que lido diariamente com problemas humanos profundos defendendo direitos de crianças e adolescentes em situação de risco social e isso é suficiente para que eu não tenha uma visão românantica da vida. O fato é que nesse episódio identifiquei algo que um professor da época da faculdade dizia: "o projeto progressista pós-moderno evoluiu tecnicamente, mas fracassou na ética".(Maurício Damasceno). De fato, lembro-me de que ele dizia que, moralmente, os problemas da humanidade são os mesmos, desde que o mundo é mundo. Só pra mencionar alguns, descrevo brevemente um ritual dos pov...

O cuidado com as crianças

por Aender Borba  O cuidado é uma forma tratar a criança, onde o prestador de cuidados se mostra  continuamente presente e capaz de prestar assistência e proteção necessários ao seu desenvolvimento. O cuidado acontece quando o cuidador se empenha para garantir o bem estar da criança, a saber: alimentação adequada, higiene, vestuário, cuidados médicos, afeto, atenção, vigilância e educação e outros. Cuidados físicos incluem a prestação de cuidados médicos básicos, alimentação adequada, higiene e uso de vestuário próprio ao clima ou em bom estado, manter um responsável sempre presente e vigilante durante a ausência dos responsáveis por períodos longos, dentre outros.  Cuidados emocionais acontecem quando as necessidades de afeto das crianças são  supridas. São vistos na comunicação diária com os filhos, demonstrações de interesse pelo que eles fizeram, disciplina amorosa, comunicação aberta, momentos de qualidade juntos, gestos de carinho, etc. Cuidados educa...

É POSSÍVEL SUSTENTAR A ABERTURA PRÓPRIA DA EXPERIÊNCIA?

Por Aender Borba Em tempos de pragmatismo científico, misticismo semântico, prazer ligado ao consumo e esvaziamento do sentido da vida, a experiência tornou-se banalizada porque não diz mais do que ela realmente significa. Neste sentido, urge o resgate do próprio conceito de experiência como estruturante do ser humano. A experiência é algo pessoal e humanizador e seu desafio é acolher a vivência do real como ela é. Responder à pergunta proposta neste curso é uma desafio capaz de revelar não só a experiência, mas o seu atributo de abertura. O que é a abertura própria da experiência? Buscar uma compreensão sobre a abertura da experiência exige antes que se firme um conceito sólido sobre como a experiência se estrutura. A tomada de consciência do ser é como um convite para colocar a existência diante de algo surpreendente, entendendo que ele mesmo não pode dar vida a si mesmo. Há uma necessidade do ser reconhecer que ele tem a possibilidade de dizer “eu” de forma...

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      Algumas noites trabalhando em algo que pudesse traduzir o que faço me levaram a criar esta imagem, que doravante, devo utilizar como forma de expressar minha profissão, minhas experiências, minhas crenças e minha visão de mundo.        Baseado no texto do evangelho de Mateus, capítulo 6, versículos 25 a 34, busquei uma inspiração para representar visualmente as coisas que mencionei acima.        A exposição de Jesus em seu chamado "sermão da montanha" desde muito tempo tem me provocado e me levado a pensar a vida de uma maneira diferente da que a modernidade tenta impor. Não que eu não goste, ou melhor, não que eu já não esteja adaptado à vida urbana, mas há algum tempo tenho me permitido lançar um olhar sobre a criação de forma a me emocionar.        Deixei de lado a necessidade de uma carga adrenérgica que muitos acreditam ser a única, ou pelo menos, a maior maneira de sentir...