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Mostrando postagens com o rótulo esperança

Do que a tua alma tem sede?

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 Por Aender Borba A imagem aqui é muito mais forte do que normalmente estamos acostumados a visualizar. O angustiante bramir do cervo [a fêmea, no texto original] aprece de forma ardente e sanguínea. Esse animal sofre muito com a sede nas regiões orientais. Quando carente de água e incapaz de encontrá-la, ele faz um ruído lamentoso e ansiosamente busca as águas frescas; especialmente quando perseguido por caçadores [predadores] no deserto seco e escaldante, ele procura o manancial de água com intenso anseio e bravamente mergulha nele com avidez, tão logo tenha alcançado suas tão desejadas margens, uma vez extinta sua sede e escapado de seus mortais perseguidores. Quando nossas enfermidades se manifestam em grande escala e, como as ondas do mar, ameaçam tragar-nos, nossa fé parece desfalecer, e consequentemente tendemos a sucumbir pelo temor de que nos falte coragem, e assim receamos enfrentar o conflito. Dois males específicos surgem e por mais diferentes que sejam, assaltam ao mes...

Na sala de espera

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 Por Aender Borba Salmo 42:5;11 Situações em que o sofrimento é acentuado pela expectativa de que o socorro chegue são absolutamente angustiantes. Como uma mãe que chega ao pronto atendimento de um hospital com o filho acometido por uma enfermidade grave e o entrega nas mãos da equipe socorrista. A última palavra que ela quer ouvir é: espere! O coração aflito clama por urgência; esperar é insuportável, impossível. Os segundos se convertem em horas de aflição e os pensamentos oscilam entre o eterno e o temporal. Onde está Deus? Esta é a questão daqueles a que tudo se reduz a essa vida; já receberam seu galardão. Não precisam orar, porque se bastam a si mesmos. Os que esperam no Senhor, reconhecem que a única resposta suficiente para aquietar a alma vem de fora e precisa atravessá-la até que se pergunte, quantas vezes forem necessárias: por que estás abatida? Só há um que pode saciar a sede eterna da alma e ele tem poder para tranquilizar o coração de quem passa pelas maiores dores e...

A tirania da pressa

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 Por Aender Borba Quando um atleta de alto rendimento se prepara para um grande evento esportivo, ele sabe que o caminho a percorrer será de trabalho duro e muitas restrições. O caminho entre o preparo e o dia da competição é marcado por uma espera que o motiva e o faz confiar que todo seu esforço será recompensado de acordo com o seu rendimento. Esta poderia ser uma bela analogia para a vida cristã, desde que se considere uma diferença crucial. Na jornada cristã devemos aprender a confiar mais em Deus e menos em nós mesmos, porque fé exige que perseveremos nas promessas que dele recebemos em sua santa palavra e isso nos faz esperar enquanto prosseguimos. C. S. Lewis diz que “odiamos esperar, porque a espera é uma voz que grita dentro de nós: ‘você não está no controle! ” Dizemos confiar em Deus, desde que ele submeta sua agenda à nossa. O próprio Abraão teve que aprender algo sobre isso quando tentou dar uma “ajudinha” para apressar a promessa. A pressa mata a virtude da espera e ...

Tempo e propósito

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 Por Aender Borba Ansiedade, correria, urgência, um estado de alerta constante e a impressão que não há tempo para fazer tudo que é preciso. Essas, talvez, sejam as maiores lutas que precisamos enfrentar nos dias atuais. Discernir a ocasião certa e fazer uso adequado do tempo, quase sempre negando a possibilidade de que algo fuja ao controle, tornou-se tônica de nossas aspirações mais profundas. O que significa reconhecer que "há um tempo certo para cada propósito na vida"? Como eleger uma opção dentre as muitas do "cardápio cotidiano" sem a sensação de que vou me arrepender de não ter escolhido a melhor de todas... (aquela que me trará satisfação eterna)? O sábio ensina que "há tempo para todo propósito", mas, e quando as vicissitudes nos consomem ao ponto de perdermos o bom senso e a conexão com o desfrute do tempo? E quando tudo perde o valor, porque ao invés de viver o tempo, deseja-se monetizar o tempo; apressar o tempo com a velocidade 2x; ou encher ...

Fé pra hoje!

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 Por Aender Borba Os ensinos de Jesus foram muito além do que os mais religiosos de sua época poderiam compreender. À época, a mensagem do judeu de Nazaré, para alguns, parecia dura e inatingível, para outros, carregada de vida e de coerência, especialmente porque proclamava um retorno à fé necessária para viver em obediência e devoção um dia de cada vez: "não se preocupem com o dia de amanhã, pois ele trará suas próprias preocupações". Há uma tendência humana de pensar na fé somente quando o futuro está incerto ou quando estamos submetidos às circunstâncias que fogem ao controle. Afinal, quem precisa de fé si possui um emprego estável ou si acumulou um fundo de reserva financeira para os próximos 12 meses? Nada errado com as reservas financeiras e as estabilidades materiais, desde que essas coisas não se tornem a fonte da nossa segurança e, ao se confundirem com a natureza da fé genuína, se tornem fins e não meios que nos mobilizam a obedecer a Deus e sua Palavra, mesmo nas ...

O que é a vossa vida?

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 Por Aender Borba O que é a vossa vida? Tiago 4: 13-15 Essa é uma pergunta que nunca deveríamos abandonar: "o que é a vossa vida?" Pensar sobre a vida é encarar seus movimentos, mas sobretudo reconhecer quem a governa.  Todos os empreendimentos humanos estão restritos ao tempo e ao espaço.  A despeito de nossos recursos intelectuais de resgatar memórias ou de antecipar alguns eventos futuros, só conseguimos fazer essas coisas hoje (no presente).  Este limite espaço-temporal deve nos remeter à pergunta de Tiago, pois garantias sobre o controle do curso de nossas próprias vidas?  Ele mesmo responde: "A vida é um sopro; é como uma névoa que aparece e pouco depois se dissipa." Sentir medo do futuro não é o mesmo que controlar o futuro.  Nossa condição finita e temporal deve nos dizer que temos um Deus infinito e pessoal.  Ele é o Senhor do tempo e também o Emanuel (Deus conosco), que nunca nos desampara, ainda que passemos pelo vale mais sombrio ou pela no...

Enfrentamentos diários da vida ordinária

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O problema real da vida cristã aparece onde as pessoas normalmente não procuram.  Ele aparece instantaneamente em que você acorda cada manhã.  Todos os desejos e esperanças para o dia correm para você como animais selvagens.  E a primeira tarefa de cada manhã consiste simplesmente em empurra-los todos para traz;  em dar ouvidos a outra voz, tomando aquele outro ponto de vista, deixando aquela outra vida mais ampla, mais forte e mais calma entrar como uma brisa.  E assim por diante, todos os dias.  Mantendo distância de todas as inquietações e de todos os aborrecimentos naturais, protegendo-se do vento. No começo, somos capazes de faze-lo somente por alguns momentos.  Mas então o novo tipo de vida estará se propagando por todo o nosso ser, porque então estamos deixando Cristo trabalhar em nós no lugar certo.  Trata-se da diferença entre a tinta, que está simplesmente colocado sobre a superfície, e uma mancha que penetra naquela superfície. Quando C...

Tristeza quando abraça o sentido encontra a fé

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 Por Aender Borba “A tristeza é minha companheira constante.  Não importa o que eu faça, a tristeza coloca um peso de chumbo sobre minha alma.  Onde estão os meus ideais, toda a grandeza, a beleza, toda a bondade, tão estimados outrora pelo meu anseio?  Meu coração se acha dominado por um tédio bocejante.  Vivo como que jogada a um vazio.  Existem momentos nos quais até a própria dor me é recusada.  Em meu tormento, clamo por Deus, o Pai de todos.  Mas Ele também silencia.  No fundo, só desejaria uma coisa: morrer;  morrer hoje mesmo, se isso me for possível.  Se eu não tiver a consciência dada a mim pela fé, segundo a qual não sou dona de minha vida, já, e muitas vezes, teria me entregado ao vazio. Nesta fé, começa a transformar-se toda a amargura do sofrimento.  Porque aquele que pensa que a vida humana tem de ser um caminhar de êxito, assemelha-se um tolo que meneia um dianteiro de uma construção e se admira que está cavando...

Pés no chão e olhos na eternidade

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 Por Aender Borba Uma das mais belas narrativas do texto bíblico está registrada no primeiro livro da Bíblia. É possível que alguém pense que a fé é uma espécie de dispositivo psicológico, desprovido de intencionalidade racional, que serve apenas para lidar com circunstâncias emocionais adversas. Abraão é mencionado na tradição judaico-cristã como "Pai da fé", a razão é que sua biografia, especialmente neste relato, carrega a imagem mais expressiva do que Deus fez pela humanidade ao entregar o seu próprio filho como sacrifício pela salvação. Quero chamar a tua atenção para o drama da jornada. Pense na angústia desse pai ao convidar o filho que tanto ama para oferecer um sacrifício, mas sem levar o animal. Cada pergunta que Isaque fazia era como adaga lhe perfurando o coração. Seria desumano pensar que Abraão seguiu o caminho da montanha com tranquilidade. Agora, imagine a cabeça daquele jovem, que seguia a jornada pegando lenha para o próprio funeral. Com toda certeza, em alg...

Nascerá o Sol da Justiça

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Por Aender Borba A influência dispensacionalista no mundo ocidental consolidou uma percepção muito negativa dos textos escatológicos, sobretudo, trouxe um impacto sobre aqueles que têm pouca ou nenhuma compreensão sobre a esperança cristã na ressurreição dos mortos e na vida eterna, como afirmam os credos de nossos pais. Desde modo, assuntos escatológicos servem ao pífio propósito de impor medo aos leigos. Aliado a esta pobreza de esperança, a teologia, no ocidente, foi se divorciando paulatinamente dos elementos litúrgicos; dentre eles o tempo. Não se sabe mais orar como o (Salmo 90:12): " ensina-nos a contar os nossos dias para que alcancemos corações sábios ". Sem esperança e com essa sequela cronológica, o medo é a única resposta para quem está inseguro quanto ao futuro.  Malaquias chama atenção para o fato que, naquele  dia , quando o  Sol da Justiça  brilhar sobre justos e injustos, estes " serão queimados como restolho, não restando nem raiz, nem ramo...

Temporalidade, esperança e gratidão

Por Aender Borba Existe um fato que sempre chamou minha atenção sobre finais de ano. Sempre ouvi pessoas dizerem que não gostam dessa época de festividades e as justificativas são as mais variadas possíveis. Há quem diga que não gosta por causa do consumismo exagerado e irresponsável; outros odeiam por causa do desperdício das "comelanças" durante os almoços e ceias; já ouvi alguns dizerem que não suportam as "caras de paisagem" que precisam fazer nas reuniões de família e até aqueles que relatam não tolerar a alegria alheia. Vale ressaltar que, não obstante os motivos declarados para repudiar as comemorações sejam plausíveis, minha desconfiança é que essas pessoas estão desatentas à temporalidade, que provoca e convida a uma (auto)reflexão inevitável.  Nossa cultura ocidental, sob influência grega, tende a observar o tempo de forma cíclica. Uma espécie de roda giratória, sem começo e nem fim, cujos eventos se repetem sem nenhuma finalidade, tratando-se mer...

O Evangelho e o comportamento cristão