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Mostrando postagens com o rótulo espiritualidade

Binômios da existência

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  Quem é mais espiritual, o monge enquanto ora e medita ou o habilidoso soldador debruçado em sua bancada fazendo o reparo de uma peça? A ideia de uma espiritualidade atrelada exclusivamente às práticas religiosas não é nova. A mentalidade ocidental foi edificada sobre o conceito de que toda experiência de dualidade aplicada a um caso particular é uma contradição (antinomia). Esta dualidade aflora mediante uma série de binômios: imanente e transcendente, alma e corpo, matéria e espírito, visibilidade e invisibilidade, físico e metafísico... traduzindo o espírito dessa época, uma expressão mineira representa bem os dilemas atuais, especialmente entre os jovens: “caso ou compro uma bicicleta?” De alguma maneira, mesmo que sintamos o mundo como nossa casa, ronda-nos permanentemente a sensação de nos sentirmos deslocados, sem lugar, errantes, exilados, inquietos e buscando algo a mais. Schaeffer dizia que “a verdadeira espiritualidade não é mera questão de um negativo não-fazer de qual...

Vida espiritual e disciplina

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 Por Aender Borba Até por volta do séc. XI, a palavra "disciplina" significava "instrução, conhecimento, matéria a ser ensinada", deriva de "discipulus", ou, "aquele que aprende", do verso "discere" (aprender). Nos séculos seguintes assumiu o significado de "manutenção da ordem, obediência, respeito, regra, condicionamento...". Na vida moderna disciplina tornou-se sinônimo de (auto)controle diante das agitações e da velocidade com que se tem que responder a tudo no mínimo tempo e máxima qualidade, o que durante alguns anos foi chamado de "inteligência". Essa inquietação do homem moderno o enche de PREOCUPAÇÃO por coisas que talvez aconteçam e CULPA pelas que já aconteceram. Por detrás dessa preocupação e culpa existe um medo profundo de espaços vazios, pois PARAR é uma oportunidade de algo que não prevemos que aconteça; julgamos ter total controle sobre nossa existência. Veja o que Nouwen diz sobre o assunto: "P...

Espiritualidade nas tempestades

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 Esta foi a primeira mensagem que proferi na Segunda conferência de Jovens da Igreja Presbiteriana de Brasília.  Que Deus possa falar aos vossos corações pode meio de Sua Palavra!

Fé pra hoje!

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 Por Aender Borba Os ensinos de Jesus foram muito além do que os mais religiosos de sua época poderiam compreender. À época, a mensagem do judeu de Nazaré, para alguns, parecia dura e inatingível, para outros, carregada de vida e de coerência, especialmente porque proclamava um retorno à fé necessária para viver em obediência e devoção um dia de cada vez: "não se preocupem com o dia de amanhã, pois ele trará suas próprias preocupações". Há uma tendência humana de pensar na fé somente quando o futuro está incerto ou quando estamos submetidos às circunstâncias que fogem ao controle. Afinal, quem precisa de fé si possui um emprego estável ou si acumulou um fundo de reserva financeira para os próximos 12 meses? Nada errado com as reservas financeiras e as estabilidades materiais, desde que essas coisas não se tornem a fonte da nossa segurança e, ao se confundirem com a natureza da fé genuína, se tornem fins e não meios que nos mobilizam a obedecer a Deus e sua Palavra, mesmo nas ...

Um tipo de espiritualidade restritiva

Por Aender Borba Um fenômeno que chama muito a minha atenção é o ímpeto religioso que move as pessoas em direção àquilo que elas amam. Esse impulso original apresenta-se como uma força incontrolável que atrai com potência descomunal o "coração" obrigando-o a se conectar com o objeto de seu desejo, geralmente, algo que forneça repostas às demandas mais interiores da existência. É inegável que este fenômeno está presente em cada um de nós, embora manifeste-se de maneiras distintas. Fiquei pensando também como uma fé publicamente expressa e vivenciada com consciência e intencionalidade tem um poder de influenciar a crença dos outros. Lembro-me de quando estava na faculdade, alguns professores demonstravam mais do que conhecimento da área que lecionavam, eles introduziam conceitos com tanta veemência e paixão, que eram capazes de convencer de que aquela era a única "verdade" sobre os fatos. Certa vez, um professor, por quem ainda nutro respeito e admiração, embora ...