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Tempo, ordinário e eternidade

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  Por Aender Borba 📖 Eclesiastes 3:13  “compreendi que comer, beber e desfrutar do seu trabalho é um presente de Deus”. A consciência não é formada só do imediato. Se fosse assim, estaríamos presos a um presente eterno (igual os animais). Somos dotados de capacidades cognitivas como: pensamento, percepção, sistema sensorial, percepção estética, social... se considerássemos apenas esses atributos da mente, poderíamos pensar que tempo é uma experiência subjetivista, mas não seria suficiente para dar sentido à vivência do tempo: como, quanto e onde investimos nosso tempo. O tempo, segundo Agostinho, não pode medir a eternidade. Tempo e eternidade são dimensões incomensuráveis. A eternidade está acima de todo tempo, "nela, [...] ao contrário, nada passa, tudo é presente, ao passo que o tempo nunca é todo presente. Esse tal, verá que o passado é impelido pelo futuro e que todo o futuro está precedido dum passado, e todo o passado e futuro são criados e dimanam d’Aquele que sempre ...

A tirania da pressa

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 Por Aender Borba Quando um atleta de alto rendimento se prepara para um grande evento esportivo, ele sabe que o caminho a percorrer será de trabalho duro e muitas restrições. O caminho entre o preparo e o dia da competição é marcado por uma espera que o motiva e o faz confiar que todo seu esforço será recompensado de acordo com o seu rendimento. Esta poderia ser uma bela analogia para a vida cristã, desde que se considere uma diferença crucial. Na jornada cristã devemos aprender a confiar mais em Deus e menos em nós mesmos, porque fé exige que perseveremos nas promessas que dele recebemos em sua santa palavra e isso nos faz esperar enquanto prosseguimos. C. S. Lewis diz que “odiamos esperar, porque a espera é uma voz que grita dentro de nós: ‘você não está no controle! ” Dizemos confiar em Deus, desde que ele submeta sua agenda à nossa. O próprio Abraão teve que aprender algo sobre isso quando tentou dar uma “ajudinha” para apressar a promessa. A pressa mata a virtude da espera e ...

Tempo e propósito

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 Por Aender Borba Ansiedade, correria, urgência, um estado de alerta constante e a impressão que não há tempo para fazer tudo que é preciso. Essas, talvez, sejam as maiores lutas que precisamos enfrentar nos dias atuais. Discernir a ocasião certa e fazer uso adequado do tempo, quase sempre negando a possibilidade de que algo fuja ao controle, tornou-se tônica de nossas aspirações mais profundas. O que significa reconhecer que "há um tempo certo para cada propósito na vida"? Como eleger uma opção dentre as muitas do "cardápio cotidiano" sem a sensação de que vou me arrepender de não ter escolhido a melhor de todas... (aquela que me trará satisfação eterna)? O sábio ensina que "há tempo para todo propósito", mas, e quando as vicissitudes nos consomem ao ponto de perdermos o bom senso e a conexão com o desfrute do tempo? E quando tudo perde o valor, porque ao invés de viver o tempo, deseja-se monetizar o tempo; apressar o tempo com a velocidade 2x; ou encher ...

Distrações e distorções

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 Por Aender Borba Texto publicado originalmente em  https://offlattes.com/archives/8686 A experiência temporal que encerra todos os seres humanos na mesma condição é comumente negligenciada como um fator constitutivo da nossa presença no mundo. É muito comum ouvir as pessoas reclamarem que “não têm tempo suficiente para fazer o que deveriam” ou que “o tempo está passando rápido demais”. Mais recentemente, o impacto das transformações digitais, com sua carga absurda de informações disponíveis nas mídias sociais, tem promovido a sensação de que quem não ouve (porque ler demora muito, então, o mais rápido é ouvir) todos os  vlogs  e  podcasts  que os produtores de conteúdo disponibilizaram  hoje  está desatualizado. O resultado é uma ansiedade generalizada por consumo de conteúdo e, consequentemente, uma angústia existencial gerada pela impossibilidade de corresponder, em tempo hábil, ao que está sendo ofertado: muitas vezes, soluções de péssima qual...

Temporalidade, esperança e gratidão

Por Aender Borba Existe um fato que sempre chamou minha atenção sobre finais de ano. Sempre ouvi pessoas dizerem que não gostam dessa época de festividades e as justificativas são as mais variadas possíveis. Há quem diga que não gosta por causa do consumismo exagerado e irresponsável; outros odeiam por causa do desperdício das "comelanças" durante os almoços e ceias; já ouvi alguns dizerem que não suportam as "caras de paisagem" que precisam fazer nas reuniões de família e até aqueles que relatam não tolerar a alegria alheia. Vale ressaltar que, não obstante os motivos declarados para repudiar as comemorações sejam plausíveis, minha desconfiança é que essas pessoas estão desatentas à temporalidade, que provoca e convida a uma (auto)reflexão inevitável.  Nossa cultura ocidental, sob influência grega, tende a observar o tempo de forma cíclica. Uma espécie de roda giratória, sem começo e nem fim, cujos eventos se repetem sem nenhuma finalidade, tratando-se mer...

O lugar da pergunta na existência humana

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Por Aender Borba Um dos atributos humanos que mais caracterizam nossa matriz transcendente é a pergunta. A pergunta tem o poder de abrir horizontes de significado no próprio acontecer que a vida é. Antes de desenvolver, façamos um retorno às funções das palavras interrogativas em nosso idioma. Existem três classes de palavras interrogativas na língua portuguesa.  a)Pronomes adjetivos interrogativos: que, qual, cujo, quanto (incontável), quantos (contável), cujo, de quem. b) Pronomes substantivos interrogativos: quem, que, qual, quantos. c) Advérbios interrogativos: onde, quando, como, por que, para que.  Especialmente essa última classe de palavras, os advérbios interrogativos, são muito significativos para a dinâmica do psiquismo humano. Elas têm a função de orientação no tempo e no espaço ; conceitos que não costumamos apreender de forma atenciosa, pois, ao nascer, somos lançados no mundo submetidos a essas duas categorias fundamentais. Gastamos tempo (ge...

Pascoa como evento comunitário

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Por Aender Borba Todo cristão deveria entender que a Páscoa é a principal festa do calendário judaico-cristão. Um dos grandes problemas da cristandade contemporânea é a falta de adesão ao tempo como algo que confira significado para suas vidas. Vive-se o aqui e agora. Na bíblia, vemos que Deus organiza o tempo para seu povo marcando tempos e épocas no decorrer do ano. As festas dos Hebreus estavam todas ligadas ao ciclo agrícola de Israel, costume preservado entre os judeus até os dias de hoje.  Como disse certa vez o Pr. Guilherme de Carvalho: "Cada sociedade tem uma forma de organizar o tempo. Cada um imprime no calendário sua forma de ver o mundo". Nosso calendário, por exemplo, é marcado por datas cívicas e comerciais ditadas pelo Estado e pelo Mercado. Entre os Hebreus, após 430 anos de cativeiro no Egito, Deus deu as festas para instruir o povo sobre como deveria ser a vida na nova terra (Canaã). Tudo começa com um grande livramento narrado no livro de Êxodo, a Pá...