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Tempo, ordinário e eternidade

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  Por Aender Borba 📖 Eclesiastes 3:13  “compreendi que comer, beber e desfrutar do seu trabalho é um presente de Deus”. A consciência não é formada só do imediato. Se fosse assim, estaríamos presos a um presente eterno (igual os animais). Somos dotados de capacidades cognitivas como: pensamento, percepção, sistema sensorial, percepção estética, social... se considerássemos apenas esses atributos da mente, poderíamos pensar que tempo é uma experiência subjetivista, mas não seria suficiente para dar sentido à vivência do tempo: como, quanto e onde investimos nosso tempo. O tempo, segundo Agostinho, não pode medir a eternidade. Tempo e eternidade são dimensões incomensuráveis. A eternidade está acima de todo tempo, "nela, [...] ao contrário, nada passa, tudo é presente, ao passo que o tempo nunca é todo presente. Esse tal, verá que o passado é impelido pelo futuro e que todo o futuro está precedido dum passado, e todo o passado e futuro são criados e dimanam d’Aquele que sempre ...

Distrações e distorções

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 Por Aender Borba Texto publicado originalmente em  https://offlattes.com/archives/8686 A experiência temporal que encerra todos os seres humanos na mesma condição é comumente negligenciada como um fator constitutivo da nossa presença no mundo. É muito comum ouvir as pessoas reclamarem que “não têm tempo suficiente para fazer o que deveriam” ou que “o tempo está passando rápido demais”. Mais recentemente, o impacto das transformações digitais, com sua carga absurda de informações disponíveis nas mídias sociais, tem promovido a sensação de que quem não ouve (porque ler demora muito, então, o mais rápido é ouvir) todos os  vlogs  e  podcasts  que os produtores de conteúdo disponibilizaram  hoje  está desatualizado. O resultado é uma ansiedade generalizada por consumo de conteúdo e, consequentemente, uma angústia existencial gerada pela impossibilidade de corresponder, em tempo hábil, ao que está sendo ofertado: muitas vezes, soluções de péssima qual...

Temporalidade, esperança e gratidão

Por Aender Borba Existe um fato que sempre chamou minha atenção sobre finais de ano. Sempre ouvi pessoas dizerem que não gostam dessa época de festividades e as justificativas são as mais variadas possíveis. Há quem diga que não gosta por causa do consumismo exagerado e irresponsável; outros odeiam por causa do desperdício das "comelanças" durante os almoços e ceias; já ouvi alguns dizerem que não suportam as "caras de paisagem" que precisam fazer nas reuniões de família e até aqueles que relatam não tolerar a alegria alheia. Vale ressaltar que, não obstante os motivos declarados para repudiar as comemorações sejam plausíveis, minha desconfiança é que essas pessoas estão desatentas à temporalidade, que provoca e convida a uma (auto)reflexão inevitável.  Nossa cultura ocidental, sob influência grega, tende a observar o tempo de forma cíclica. Uma espécie de roda giratória, sem começo e nem fim, cujos eventos se repetem sem nenhuma finalidade, tratando-se mer...