Temporalidade, esperança e gratidão
Por Aender Borba Existe um fato que sempre chamou minha atenção sobre finais de ano. Sempre ouvi pessoas dizerem que não gostam dessa época de festividades e as justificativas são as mais variadas possíveis. Há quem diga que não gosta por causa do consumismo exagerado e irresponsável; outros odeiam por causa do desperdício das "comelanças" durante os almoços e ceias; já ouvi alguns dizerem que não suportam as "caras de paisagem" que precisam fazer nas reuniões de família e até aqueles que relatam não tolerar a alegria alheia. Vale ressaltar que, não obstante os motivos declarados para repudiar as comemorações sejam plausíveis, minha desconfiança é que essas pessoas estão desatentas à temporalidade, que provoca e convida a uma (auto)reflexão inevitável. Nossa cultura ocidental, sob influência grega, tende a observar o tempo de forma cíclica. Uma espécie de roda giratória, sem começo e nem fim, cujos eventos se repetem sem nenhuma finalidade, tratando-se mer...