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Mostrando postagens com o rótulo amor

Suportar é sofrer

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"Em terceiro lugar mencionamos o serviço de carregar o outro. "Carregai o peso uns dos outros, e assim cumprireis a Lei de Cristo"(Gálatas 6.2). Portanto, a lei de Cristo é carregar pesos.  Carregar é sofrer.  O irmão é um fardo para o cristão, justamente para o cristão. Para o pagão, o outro nem chega a se tornar um fardo. Ele evita qualquer encargo por causa dele, porém o cristão tem que carregar o fardo do irmão. Tem que suportar o irmão.  O outro só será irmão quando se tornar um fardo, e só então deixará de ser objeto dominado.  Tão pesado foi o fardo da humanidade ao próprio Deus que sob seu peso acabou na cruz. No corpo de Jesus Cristo, Deus de fato foi afligido pela humanidade. Carregou-a, porém, como a mãe leva uma criança, como o pastor põe no ombro a ovelha perdida. Deus aceitou os seres humanos e eles o esmagaram. Deus, porém, ficou com eles, e eles com Deus. Suportando as pessoas, Deus manteve comunhão com elas. Essa é a lei de Cristo cumprida na cruz. O...

O serviço me liberta de mim mesmo

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"O segundo serviço que devemos prestar uns aos outros numa comunidade cristã é colocarmo-nos à disposição para ajudar de  maneira prática. Pensa-se, a princípio, na ajuda simples em coisas pequenas e externas. Existem muitas delas em toda a vida em comunidade. Não há serviço que seja demasiadamente modesto para alguém.  Quem alega não ter tempo a perder com a ajuda externa em coisas pequenas, apenas revela que, na maioria das vezes, dá importância excessiva para seu próprio trabalho.  T emos que nos dispor e permitir que Deus nos interrompa. Constantemente, a cada dia, Deus interferirá em nossos caminhos e planos, colocando à nossa frente pessoas com suas exigências e solicitações. Podemos passar por elas, ocupados com os assuntos importantes do dia, à semelhança do sacerdote na parábola do bom samaritano, quem sabe lendo a Bíblia. Quando procedemos dessa forma, passamos ao largo do sinal da cruz erigido de maneira visível em nosso caminho e que quer nos mostrar que é o c...

Amor como resposta ao medo

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 Por Aender Borba Francis Schaeffer fala que o medo pode chegar com muitos disfarces, mas geralmente vem de três maneiras: o medo do impessoal, o medo de não-ser e o medo da morte, que estes sintetizam bem todos os outros.  O medo pode ser pequeno; um horror que leva ao desespero, ou algo entre esses dois extremos... quando cedemos à tentação de lidar com o medo a partir da INDIFERENÇA, "como se" ele não existisse (fazendo coisas para esquecer...), na verdade, estamos tratando-o como se nada, NEM DEUS, fosse capaz de dar sentido a ele. Para um cristão, Deus (a fé) não é um mero dispositivo psicológico ou uma energia cósmica - impessoal - ele é INFINITO e PESSOAL, ele é a PRESENÇA FIEL em todo tempo, sobretudo na angustia. Como uma mãe que acorda no meio da noite para atender o filho que está com medo do escuro (impessoal).  Algumas vezes, o medo do impessoal pode levar à completa fragmentação do SER, quando a pessoa se tranca nas jaulas do puro acaso e joga a chave fora. ...

O amor conjugal

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 Por Aender Borba Lendo "O mar me contou" de Cláudio García Pintos, deparei-me com esse lindo capítulo sobre o amor conjugal.  A sintese que ele apresenta é sensacional, mas as explicações me chamaram ainda mais atenção para algo absolutamente necessário para se apreender esse amor: ele só acontece numa relação sujeito-sujeito (EU-TU). Fomos treinados a admitir como a verdade expressões como: "metade da laranja", "você me completa", "ela tem o que falta em mim", etc ... mas há um problema aqui.  O amor não é um analgésico para minhas insuficiências ou carências, pois o somatório de insuficiências resulta em mais insuficiência e não em complementação.  Duas pessoas completas, quando se amam, não perdem sua integridade e sua identidade, pelo contrário, quanto mais inteiras, mais capazes serão de se doar um para o outro.  Como cordas de um violão, que devem ter sua própria tensão, afinação e seu lugar próprio e soarem harmonicamente.   

O laço e o abraço - poesia

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 Por Maria Beatriz Marinho dos Anjos Meu Deus!  Como é engraçado! Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço ...  uma fita dando voltas. Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço. É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço. É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço. E quando puxar uma ponta, o que é que acontece?  Vai escorregando ... devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço. Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.  E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço. Ah!  Então, é assim o amor, uma amizade. Tudo que é sentimento.  Como um pedaço de fita. Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora, deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.  E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços. E saem as duas partes, igual meus pedaços ...

Pés no chão e olhos na eternidade

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 Por Aender Borba Uma das mais belas narrativas do texto bíblico está registrada no primeiro livro da Bíblia. É possível que alguém pense que a fé é uma espécie de dispositivo psicológico, desprovido de intencionalidade racional, que serve apenas para lidar com circunstâncias emocionais adversas. Abraão é mencionado na tradição judaico-cristã como "Pai da fé", a razão é que sua biografia, especialmente neste relato, carrega a imagem mais expressiva do que Deus fez pela humanidade ao entregar o seu próprio filho como sacrifício pela salvação. Quero chamar a tua atenção para o drama da jornada. Pense na angústia desse pai ao convidar o filho que tanto ama para oferecer um sacrifício, mas sem levar o animal. Cada pergunta que Isaque fazia era como adaga lhe perfurando o coração. Seria desumano pensar que Abraão seguiu o caminho da montanha com tranquilidade. Agora, imagine a cabeça daquele jovem, que seguia a jornada pegando lenha para o próprio funeral. Com toda certeza, em alg...

Ensaio sobre fobias e a resposta cristã.

De forma geral, costumamos dizer que o medo é a resposta emocional a ameaça iminente real ou percebida, enquanto ansiedade é a antecipação de uma ameaça futura. Manuais de psicodiagnóstico mostram que os ataques de pânico se destacam dentro dos transtornos de ansiedade como um tipo particular de resposta ao medo. Muitos dos transtornos de ansiedade se desenvolvem na infância e tendem a persistir se não forem tratados. A maioria ocorre com mais frequência em indivíduos do sexo feminino, numa proporção de aproximadamente 2:1, em relação ao sexo masculino. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - DSM-5 diz que transtornos mentais são definidos em relação a normas e valores culturais, sociais e familiares. A cultura proporciona estruturas de interpretação que moldam a experiência e a expressão de sintomas, sinais e comportamentos que são os critérios para o diagnóstico. A cultura é transmitida, revisada e recriada dentro da família e de outros sistemas sociais e ins...

Une histoire d'amour

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Por Aender Borba Falar de amor é algo sempre muito complexo. Talvez um dia eu me atreva a fazer isso por aqui, mas o objetivo dessa vez é compartilhar uma experiência que tive juntamente com minha esposa essa semana. Pela indicação de um amigo, assistimos o filme "Amour" de Michael Haneke. Com mais de cinco indicações ao Oscar e ganhador de vários prêmios.  O filme conta a estória de uma casal de idosos aposentados que passam por um drama que a vida lhes impôs devido as condições da própria velhice. Georges (Jean-Louis Tritignant) e Anne (Emmanuelle Riva), casados há muitos anos, ganharam a vida como professores de música e viviam confortavelmente em uma bela casa. O casal teve uma filha, que ausentou-se do convívio familiar após casar-se e acompanhar o marido em viagens por causa da profissão.  Depois de um derrame cerebral, Anne teve um lado do corpo paralisado, o que levou o casal a transformar radicalmente a rotina diária frente àquela nova realidade, na qual Ann...

Marca

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      Algumas noites trabalhando em algo que pudesse traduzir o que faço me levaram a criar esta imagem, que doravante, devo utilizar como forma de expressar minha profissão, minhas experiências, minhas crenças e minha visão de mundo.        Baseado no texto do evangelho de Mateus, capítulo 6, versículos 25 a 34, busquei uma inspiração para representar visualmente as coisas que mencionei acima.        A exposição de Jesus em seu chamado "sermão da montanha" desde muito tempo tem me provocado e me levado a pensar a vida de uma maneira diferente da que a modernidade tenta impor. Não que eu não goste, ou melhor, não que eu já não esteja adaptado à vida urbana, mas há algum tempo tenho me permitido lançar um olhar sobre a criação de forma a me emocionar.        Deixei de lado a necessidade de uma carga adrenérgica que muitos acreditam ser a única, ou pelo menos, a maior maneira de sentir...