Estigma e puzzles

 Por Aender Borba


Quem nunca montou um quebra-cabeças com mais de 5000 peças jamais saberá a importância que o desenho estampado na caixa tem! Se alguém te entregasse apenas uma peça e pedisse que você descrevesse a imagem que será formada no final, seria absolutamente impossível.

Entre os antigos gregos, estigma designava "sinais corporais com os quais se procurava evidenciar alguma coisa de extraordinário
ou de mau acerca do estatuto moral de quem os apresentava"; tratava-se de marcas corporais, feitas com cortes ou com fogo,
que identificavam de imediato um escravo ou um criminoso, por exemplo.

O estigma é um rótulo socialmente imposto (ou auto-imposto) que inclui a pessoa humana numa expectativa equivocada de "normalidade": o surdo, o deficiente físico, o doente mental...

O estigma acontece quando a pessoa é reduzida de ser um todo para ser uma mera parte.

No caso da saúde mental, sobretudo entre leigos, o estigma diminui e/ou reduz a pessoa humana a uma caricatura impessoal baseada nas conotações de seus diagnósticos. Elas deixam de ser percebidas como pessoas e tornam-se "esquizofrênicas", "depressivas", "neuróticas", ou qualquer outro rótulo diagnóstico que escolherem para projetar sobre o outro, a fim de não se envolverem com indivíduos reais.

O estigma é uma descrição social cruel e destrutiva direcionada aos mais vulneráveis. Ele estreita o campo de visão e endurece os corações!

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