Cinco incentivos para pastores intimidados pelo aconselhamento bíblico
Por Edward T. Welch
No ministério
pastoral, o tempo se divide basicamente entre o serviço público (pregação e
ensino) e o serviço pessoal (cuidado pastoral e conselho). Entre os dois, o
ministério pessoal é onde se investe mais tempo. Envolve conversas
depois da igreja, breves palavras de encorajamento durante dificuldades,
visitas a hospitais, reuniões planejadas quando os problemas são insistentemente
duradouros e cuidados mais direcionados para aqueles que lutam com o que
poderíamos chamar de sua saúde emocional ou mental. Algumas dessas pessoas
sofrem de problemas psiquiátricos específicos.
Quando se trata de pessoas que estão realmente sofrendo, muitos pastores são tentados a se sentir sobrecarregados e subqualificados. Se é o seu caso, pastor, aqui estão cinco coisas para lembrar.
1. A miséria humana tornou-se mais complicada e mais
frequente.
Comparado ao tempo presente, nosso passado
pré-moderno tinha mais mortes, menos proteção legal da vida e incertezas sem
fim. Mas há características que se destacam em nossa época atual: colapsos
massivos da unidade familiar, isolamento, falta de propósito maior e liberdade
sexual. Particularidades da vida cotidiana que intensificaram essa miséria.
Agora, considere o surgimento da psiquiatria
moderna, ela indica que as questões médicas muitas vezes se tornam parte do
cuidado pastoral. Tudo isso significa que mais pessoas têm mais problemas, cada vez mais complicados, e que
precisam de cuidados e conselhos pastorais.
2. Existem bons recursos para ajudá-lo.
A igreja tem acesso a mais recursos para seu
cuidado e conselho pastoral do que nunca. Esta é uma boa notícia para os
pastores. No entanto, precisamos classificar essa literatura crescente e
identificar o que é mais consistente com as Escrituras e mais útil. Devemos
procurar material que apoie a pregação regular e o ensino da Palavra.
Eu estou mais familiarizado com a literatura que
tem sido chamada de aconselhamento bíblico, mas este nome pode enganar. Não
pretendemos que seja uma marca patenteada, mas uma descrição simples ou um
corpo de trabalho para o qual todos contribuímos. Ele descreve como nós
trazemos a verdade da Escritura para os problemas da vida cotidiana,
particularmente nos relacionamentos. Em outras palavras, o aconselhamento
bíblico é um cuidado pastoral. O que é confuso é que a palavra aconselhamento
sugere uma hora formal e profissional com um especialista. Embora o
aconselhamento bíblico possa ser feito nesse cenário, pensamos nisso no sentido
mais democratizado de que todos somos chamados por Deus para ajudar uns aos
outros.
3. Você já conhece as verdades mais úteis.
Com todas as novas terapias e medicamentos, os pastores podem temer que tratem erroneamente um problema médico como se fosse apenas espiritual. Mas em meio a tudo o que você não sabe, você sabe disso: nosso Deus está satisfeito - em Jesus Cristo e por meio da proclamação de seu evangelho - em renovar todo o cosmos (Cl 1: 15-23). Nada chega mais fundo na condição humana. Esta mensagem foi confiada a pessoas comuns que as envolvem em humildade e amor.
3. Você já conhece as verdades mais úteis.
Com todas as novas terapias e medicamentos, os pastores podem temer que tratem erroneamente um problema médico como se fosse apenas espiritual. Mas em meio a tudo o que você não sabe, você sabe disso: nosso Deus está satisfeito - em Jesus Cristo e por meio da proclamação de seu evangelho - em renovar todo o cosmos (Cl 1: 15-23). Nada chega mais fundo na condição humana. Esta mensagem foi confiada a pessoas comuns que as envolvem em humildade e amor.
Aqui está
outra maneira de olhar para ele: até mesmo a literatura psicológica
profissional observa que as pessoas obtêm a maior parte de sua ajuda de amigos
não profissionais que simplesmente amam, ouvem e, em relacionamentos cristãos,
oram por eles. Este é o padrão-ouro reconhecido para o cuidado, e os
profissionais simplesmente visam atingir esse padrão.
4. Alguns princípios podem orientá-lo sobre cuidados médicos e psiquiátricos.
4. Alguns princípios podem orientá-lo sobre cuidados médicos e psiquiátricos.
Não se espera que os pastores sejam profissionais
da área médica, mas eles devem levar em consideração que os cuidados com a alma
e o cuidado com o corpo frequentemente se sobrepõem. Então, como aconselhar? Aqui
estão alguns princípios que para se lembrar:
a) Se houver mudanças perceptíveis nas emoções ou habilidades intelectuais
após os 40 anos, encaminhe a pessoa a um médico. Nesta idade, nossas
habilidades emocionais e intelectuais seguirão vagamente padrões reconhecíveis.
Se uma pessoa está repentinamente deprimida ou tem emoções que flutuam
descontroladamente, e essas mudanças são sem precedentes, então você deve
encaminhar essa pessoa a um médico. Existem condições médicas e efeitos
colaterais de medicamentos que podem precipitar essas mudanças.
b) Se alguém está tomando medicação psiquiátrica, isso aponta para algo grave.
Seu trabalho é entender o sofrimento deles e encorajar o relacionamento da
pessoa com Jesus. Os tratamentos psiquiátricos são diferentes da maioria dos
outros cuidados médicos, na medida em que um problema físico subjacente não é
claro. Essa distinção, no entanto, não é importante para você. Você não dá
conselhos sobre medicação psiquiátrica. Se uma pessoa parece ter mais problemas
depois de tomar a medicação, então incentive o contato com o médico prescritor,
mas não há mais nada que você precise fazer. É suficiente saber que algo é insuportável
na vida da pessoa e, como acontece com outros sofrimentos crônicos, você pode
ajudá-los com incentivo e oração regulares, ainda que breves. Quando a forma de
sofrimento é desconhecida não tenha medo de pedir ajuda a alguém com
experiência.
c) Se uma pessoa pode se beneficiar de medicações psiquiátricas, não há mal
algum em incentivar essa pessoa a falar com um médico. No mundo atual, a
maioria das pessoas já sabe sobre medicamentos psiquiátricos e, provavelmente,
alguns amigos já fizeram a sugestão. Mas talvez os membros de sua igreja não se
encaixem no perfil cultural e talvez relutem em considerar os cuidados
psiquiátricos. Você já sugeriu isso? A sabedoria exige que você simplesmente
busque conselhos quando estiver incerto. Consulte os membros da sua congregação
que tenham experiência ou consulte um médico de confiança que possa lhe dar
orientações.
5. Dada a crescente necessidade de cuidados pastorais,
você deve equipar os outros.
O apóstolo Paulo explicou da seguinte maneira:
“e deu uns para apóstolos, outros para profetas, outros evangelistas, outros pastores e mestres, para equipar os santos para a obra do ministério, para
edificar o corpo de Cristo. (Ef 4: 11–12)
O ministério leigo é um acontecimento
extraordinário e uma das principais bênçãos do Pentecostes. As pessoas não
precisam mais de uma unção especial para oferecer uma palavra profética de
direção e sabedoria. Na nova aliança, o Espírito foi dado a todos os que
depositaram sua fé em Jesus. Deus se agrada de ter a igreja edificando uns aos
outros e amadurecendo através do ministério de pessoas fracas, que parecem
desqualificadas aos olhos do mundo (1 Co 1: 27-29).
Muito provavelmente, isso já está acontecendo em
sua igreja. As pessoas compartilham suas lutas entre si. As pessoas oram umas pelas
outras. Isso está quase certamente acontecendo entre as mulheres em sua igreja;
às vezes, está acontecendo com os homens. Como pastor, você quer que isso
aconteça mais e com amor e sabedoria crescentes.
À medida que se planeja continuar equipando a sua
igreja, aqui estão duas perguntas a serem consideradas.
Primeiro, como cultivar uma cultura da igreja na
qual as pessoas são abertas sobre suas lutas? Isso tem implicações até mesmo
para o modo se prega e como a liderança se envolve. O cuidado mútuo das almas
só acontecerá em uma igreja que assume que todos nós temos lutas e convida as
pessoas a se abrirem com elas.
Segundo, quais as habilidades básicas que todos os
membros da igreja deveriam estar desenvolvendo? Seguem alguns itens
essenciais a se considerar:
- Fale menos e ouça mais.- Respeite os sentimentos da pessoa, porque eles geralmente levam ao que é especialmente importante para eles.- Quando não souber o que dizer, ore.- Faça conexões significativas entre as lutas da vida e Jesus.
Nossos dias estão cheios de lutas pessoais. Algumas
dessas lutas não são novas: ansiedade, depressão, vício, vergonha e raiva.
Outros são mais recentes, como o vício em internet e alguns diagnósticos
psiquiátricos. Mas todos eles podem ser ajudados por um envolvimento
significativo em uma igreja local sábia e amorosa.
Edward T.
Welch é um psicólogo licenciado e membro do corpo docente da CCEF.
Texto extraído do site do ministério 9 Marcas. Para acessar o original em inglês acesse o link: 9Marks
Tradução livre por Aender Borba.
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