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Preconceito, Cura gay e ressentimento...

Por Aender Borba         Os que já tiveram a chance de acessar o meu perfil do facebook e outras redes sociais devem ter percebido que nos debates sobre a chamada "cura gay", tenho adotado uma postura bastante divergente da maioria das pessoas. Decidi escrever este post porque tenho recebido muitos questionamentos sobre meu posicionamento sobre o assunto. Sei que corro o risco de ser severamente ressarchado por alguns, mas prefiro me posicionar a me omitir sobre um assunto que tem tomado proporções estratosféricas em nosso pais, especialmente nos últimos meses.       Algumas figuras que serão citadas aqui ganharam a antipatia de muita gente. Preciso mencioná-las para que o argumento seja exposto; sem denegrir suas imagens ou me aliar aos seus discursos. Aos mais exaltados, peço que suspendam seus julgamentos (preconceitos) e foquem no questão central que pretendo abordar: origem do termo "cura gay" e laicidade da psicologia.  ...

Desencontros linguísticos

Por Aender Borba     Durante a graduação, numa aula de psicologia social, a professora fez a seguinte pergunta: qual é a primeira instituição em que os seres humanos são inseridos? A maioria dos colegas, inclusive eu, respondeu: a família. Para surpresa geral de todos, a resposta estava errada e a professora disse que é a linguagem. Naquele momento, a afirmação não parecia fazer o menor sentido, pois nunca havia pensado na linguagem por essa perspectiva. Para mim, a linguagem era apenas um modo de comunicação, um meio pelo qual estabelecemos contato com os outros, etc. Eu não tinha clareza de como estamos imersos nela e, de certo modo, como estamos institucionalizados nesse universo de sentidos e significados das coisas.       No trabalho em aglomerados de BH e Contagem, percebo e afirmo que lá existe um modo próprio de pensar e de comunicar, um cultura estabelecida, que muitas vezes, nos deixa totalmente desconectado de tudo que se passa a nossa vol...

Pra pensar a (in)disciplina...

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Por Aender Borba Sempre que sou procurado por pais ou responsáveis por crianças e adolescentes, tanto no contexto escolar (de educação não-formal - onde atuo), quanto no contexto da própria família, percebo como é frequente a queixa sobre o comportamento indisciplinado dos infantes. Sem dúvida, este é um dos fenômenos mais aterrorizantes para pais e educadores. No caso dos pais, quase sempre, a procura por uma orientação neste sentido soa como um pedido de socorro. Há uma falta de habilidade generalizada dos pais em lidar com a educação dos próprios filhos, especialmente, na questão da disciplina. Herança da década de 70, os pais apreenderam de forma equivocada a questão da correção dos filhos. É aquela velha estória de se jogar o bebê junto com a água suja da banheira. Muitos pais exageravam na intensidade disciplinar imposta a seus filhos, o que se dava em forma de espancamento e agressão, e não de uma repreensão amorosa e carregada de sentido. Na tentativa de reduzir a violência...

Relações humanas e relação terapêutica.

Por Aender Borba Senti-me provocado a escrever estas linhas depois que um grande número de pessoas (amigos e conhecidos) tem me procurado para perguntar sobre certas práticas de certos psicólogos(as), dos quais suspeita-se que suas posturas não coincidam com o que seria esperado de um profissional dessa classe. De modo geral, as pessoas, mesmo não tendo conhecimento profundo sobre o que faz um psicólogo(a), têm uma concepção prévia do que lhes seria inerente. Mais ou menos assim: do mesmo modo como açougueiro entende de carnes, um médico de saúde, um engenheiro civil de edificações; um psicólogo(a) deve entender de gente, de emoções, de comportamento e de ética. A partir dessa provocação, decidi refletir um pouco sobre um assunto que nunca vai se esgotar: a relação terapêutica . Não é possível esgotar porque ele é a mola propulsora da Psicologia como ciência e profissão, independente do campo de atuação, seja na clínica, nas organizações, no esporte, no hospital e outros...

Une histoire d'amour

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Por Aender Borba Falar de amor é algo sempre muito complexo. Talvez um dia eu me atreva a fazer isso por aqui, mas o objetivo dessa vez é compartilhar uma experiência que tive juntamente com minha esposa essa semana. Pela indicação de um amigo, assistimos o filme "Amour" de Michael Haneke. Com mais de cinco indicações ao Oscar e ganhador de vários prêmios.  O filme conta a estória de uma casal de idosos aposentados que passam por um drama que a vida lhes impôs devido as condições da própria velhice. Georges (Jean-Louis Tritignant) e Anne (Emmanuelle Riva), casados há muitos anos, ganharam a vida como professores de música e viviam confortavelmente em uma bela casa. O casal teve uma filha, que ausentou-se do convívio familiar após casar-se e acompanhar o marido em viagens por causa da profissão.  Depois de um derrame cerebral, Anne teve um lado do corpo paralisado, o que levou o casal a transformar radicalmente a rotina diária frente àquela nova realidade, na qual Ann...

Avanços éticos da civilização

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Por Aender Borba Há dois dias, ouvindo uma rádio de notícias, como faço todas as manhãs ao me deslocar para o trabalho, fiquei extremamente provocado com a notícia de um assalto realizado em São Bernardo do Campo (SP), que culminou com a morte da vítima. (Leia a notícia aqui ). Quem me conhece, sabe que não gosto de sensacionalismo e nem acho que coisas desse tipo não aconteçam todos os dias, uma vez que lido diariamente com problemas humanos profundos defendendo direitos de crianças e adolescentes em situação de risco social e isso é suficiente para que eu não tenha uma visão românantica da vida. O fato é que nesse episódio identifiquei algo que um professor da época da faculdade dizia: "o projeto progressista pós-moderno evoluiu tecnicamente, mas fracassou na ética".(Maurício Damasceno). De fato, lembro-me de que ele dizia que, moralmente, os problemas da humanidade são os mesmos, desde que o mundo é mundo. Só pra mencionar alguns, descrevo brevemente um ritual dos pov...

O cuidado com as crianças

por Aender Borba  O cuidado é uma forma tratar a criança, onde o prestador de cuidados se mostra  continuamente presente e capaz de prestar assistência e proteção necessários ao seu desenvolvimento. O cuidado acontece quando o cuidador se empenha para garantir o bem estar da criança, a saber: alimentação adequada, higiene, vestuário, cuidados médicos, afeto, atenção, vigilância e educação e outros. Cuidados físicos incluem a prestação de cuidados médicos básicos, alimentação adequada, higiene e uso de vestuário próprio ao clima ou em bom estado, manter um responsável sempre presente e vigilante durante a ausência dos responsáveis por períodos longos, dentre outros.  Cuidados emocionais acontecem quando as necessidades de afeto das crianças são  supridas. São vistos na comunicação diária com os filhos, demonstrações de interesse pelo que eles fizeram, disciplina amorosa, comunicação aberta, momentos de qualidade juntos, gestos de carinho, etc. Cuidados educa...