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São Tomé e Príncipe - impressões de um psicólogo

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Por Aender Borba Janeiro de 2014 foi um mês para recordar eternamente. Tive a grata satisfação de fazer uma viagem para o país (ilha) africano de São Tomé; que foi viabilizada pela parceria entre a OMCV (onde trabalho) e a agência missionária JOCUM. A expedição foi programada e guiada pelo Tio Pedro; um homem extremamente comprometido com a vida humana e de uma sensibilidade inigualável, além de sua força hercúlea para o trabalho.  A equipe foi composta de 22 pessoas, dentre os quais 5 eram da OMCV. Realizamos um trabalho lindo junto às crianças da creche Criança Feliz, que fica nas dependências da base da JOCUM e é gerida por alguns missionários locais. Durante os 15 dias que permanecemos, as atividades se dividiram em dois tempos: pela manhã realizamos intervenções em sala de aula com as crianças e durante as tardes foi ministrada uma Oficina de Qualificação Pedagógica com temas sócio-psico-educacionais, que julgamos relevantes para as ações dos educadores locais. O resta...

Pais que frustram os filhos os deixam traumatizados?

Por Aender Borba No meu trabalho com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade; mensalmente desenvolvo com a amiga e Assistente Social, Míriam Eunice Ferreira, um projeto que se chama "Encontro com as famílias". O objetivo desses encontros é fazer uma aproximação das famílias com os Projetos Sociais e, a partir das demandas sociais observadas pela nossa equipe, oferecer informações aos pais e/ou responsáveis para que se impliquem no cuidado e proteção de filhos. Nos encontros que realizamos durante o ano, o foco foi a proteção integral da criança. Tratamos de temas como "desenvolvimento da infância até a adolescência", "como evitar acidentes domésticos", dentre outros. Nestes encontros, alguns fatos me chamaram a atenção e me provocaram intensamente, destaco: a) o número assustador de mães, que solitárias (muitas vezes abandonadas) não podem se esquivar da responsabilidade de criar e educar os filhos. b) quando participam do núcle...

Preconceito, Cura gay e ressentimento...

Por Aender Borba         Os que já tiveram a chance de acessar o meu perfil do facebook e outras redes sociais devem ter percebido que nos debates sobre a chamada "cura gay", tenho adotado uma postura bastante divergente da maioria das pessoas. Decidi escrever este post porque tenho recebido muitos questionamentos sobre meu posicionamento sobre o assunto. Sei que corro o risco de ser severamente ressarchado por alguns, mas prefiro me posicionar a me omitir sobre um assunto que tem tomado proporções estratosféricas em nosso pais, especialmente nos últimos meses.       Algumas figuras que serão citadas aqui ganharam a antipatia de muita gente. Preciso mencioná-las para que o argumento seja exposto; sem denegrir suas imagens ou me aliar aos seus discursos. Aos mais exaltados, peço que suspendam seus julgamentos (preconceitos) e foquem no questão central que pretendo abordar: origem do termo "cura gay" e laicidade da psicologia.  ...

Desencontros linguísticos

Por Aender Borba     Durante a graduação, numa aula de psicologia social, a professora fez a seguinte pergunta: qual é a primeira instituição em que os seres humanos são inseridos? A maioria dos colegas, inclusive eu, respondeu: a família. Para surpresa geral de todos, a resposta estava errada e a professora disse que é a linguagem. Naquele momento, a afirmação não parecia fazer o menor sentido, pois nunca havia pensado na linguagem por essa perspectiva. Para mim, a linguagem era apenas um modo de comunicação, um meio pelo qual estabelecemos contato com os outros, etc. Eu não tinha clareza de como estamos imersos nela e, de certo modo, como estamos institucionalizados nesse universo de sentidos e significados das coisas.       No trabalho em aglomerados de BH e Contagem, percebo e afirmo que lá existe um modo próprio de pensar e de comunicar, um cultura estabelecida, que muitas vezes, nos deixa totalmente desconectado de tudo que se passa a nossa vol...

Pra pensar a (in)disciplina...

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Por Aender Borba Sempre que sou procurado por pais ou responsáveis por crianças e adolescentes, tanto no contexto escolar (de educação não-formal - onde atuo), quanto no contexto da própria família, percebo como é frequente a queixa sobre o comportamento indisciplinado dos infantes. Sem dúvida, este é um dos fenômenos mais aterrorizantes para pais e educadores. No caso dos pais, quase sempre, a procura por uma orientação neste sentido soa como um pedido de socorro. Há uma falta de habilidade generalizada dos pais em lidar com a educação dos próprios filhos, especialmente, na questão da disciplina. Herança da década de 70, os pais apreenderam de forma equivocada a questão da correção dos filhos. É aquela velha estória de se jogar o bebê junto com a água suja da banheira. Muitos pais exageravam na intensidade disciplinar imposta a seus filhos, o que se dava em forma de espancamento e agressão, e não de uma repreensão amorosa e carregada de sentido. Na tentativa de reduzir a violência...

Relações humanas e relação terapêutica.

Por Aender Borba Senti-me provocado a escrever estas linhas depois que um grande número de pessoas (amigos e conhecidos) tem me procurado para perguntar sobre certas práticas de certos psicólogos(as), dos quais suspeita-se que suas posturas não coincidam com o que seria esperado de um profissional dessa classe. De modo geral, as pessoas, mesmo não tendo conhecimento profundo sobre o que faz um psicólogo(a), têm uma concepção prévia do que lhes seria inerente. Mais ou menos assim: do mesmo modo como açougueiro entende de carnes, um médico de saúde, um engenheiro civil de edificações; um psicólogo(a) deve entender de gente, de emoções, de comportamento e de ética. A partir dessa provocação, decidi refletir um pouco sobre um assunto que nunca vai se esgotar: a relação terapêutica . Não é possível esgotar porque ele é a mola propulsora da Psicologia como ciência e profissão, independente do campo de atuação, seja na clínica, nas organizações, no esporte, no hospital e outros...

Une histoire d'amour

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Por Aender Borba Falar de amor é algo sempre muito complexo. Talvez um dia eu me atreva a fazer isso por aqui, mas o objetivo dessa vez é compartilhar uma experiência que tive juntamente com minha esposa essa semana. Pela indicação de um amigo, assistimos o filme "Amour" de Michael Haneke. Com mais de cinco indicações ao Oscar e ganhador de vários prêmios.  O filme conta a estória de uma casal de idosos aposentados que passam por um drama que a vida lhes impôs devido as condições da própria velhice. Georges (Jean-Louis Tritignant) e Anne (Emmanuelle Riva), casados há muitos anos, ganharam a vida como professores de música e viviam confortavelmente em uma bela casa. O casal teve uma filha, que ausentou-se do convívio familiar após casar-se e acompanhar o marido em viagens por causa da profissão.  Depois de um derrame cerebral, Anne teve um lado do corpo paralisado, o que levou o casal a transformar radicalmente a rotina diária frente àquela nova realidade, na qual Ann...